UM CRESCIMENTO SEM PARÊNTESES
A descrição do salário mínimo pelo decreto-lei de 30 de abril de 1939, como “(...)remuneração mínima devida a todo trabalhador adulto (...) capaz de satisfazer (...) às suas necessidades normais de alimentação, vestuário, higiene e transporte, parece não condizer com a realidade atual.
Nas últimas semanas a discussão sobre a MP (medida Provisória) do governo que taxa o salário em R$260,00 trouxe à tona antigas discussões sobres o preço digno a ser pago pelo trabalho.
Tabelas de gráficos com base em poder de compra, grau de cobertura do salário, taxas de inflação, juros, entre outros, no entanto, não esclarecem ao cidadão comum, beneficiado pelo salário, a importância da oscilação entre todas essas causas e os efeitos sentidos dentro de sua casa no tocante ao sustento de sua família.
Não se entende o por quê da associação entre a recuperação do salário mínimo e a previdência, ou entre este e o pagamento dos juros elevados que garantem a calma comente aos “detentores do capital financeiro”.
O brasileiro sente apenas o peso de todas essas tramitações que lhe são impostas além de seu poder de veto, quando liga a televisão ou compra o jornal e assiste a decadência de suas esperanças antes depositadas na mudança do país por um governo que se diferenciava pela trajetória política e que se colocava pronto a lutar pelas causas sociais.
A velha “cantilena” de que 4 anos não são suficientes para mudar o cenário político, econômico e social de um país já é ouvida a cada novo fracasso, e não foram poucos, o que resulta na indignação de que “até desde quando ouvimos isso, algo já poderia, com efeito, ter sido mudado.
Acrescido a essa discussão e ainda tomando parte na questão do salário mínimo; pesquisas mostram que cada real a mais concedido ao salário representa um aumento de R$ 140 milhões nos gastos do orçamento federal, o que quer dizer, que se fosse elevado, como proporam alguns senadores, o mínimo a US$100, o gasto adicional seria de R$7 bilhões e isso foi noticiado às pompas de forma clara para que todos entendam que o aumento do mínimo é impossível.
O fato é que não é desconhecido de ninguém que há desvios nas contas públicas, que nossos impostos não atingem as áreas a que se destinam, que muito se gasta em favor de políticos e tantos outros gastos corruptos e ilegais, onde R$7 bilhões parece pouco perto das cifras exurbitantes que se gastam em detrimento da população.
Em última colocação, o calcanhar-de-aquiles para o aumento do salário é a taxa básica de juros da economia que representa junto à dívida pública o valor de R$450 bilhões, o que quer dizer que a queda de um ponto percentual representa uma economia de R$4,5 bilhões em 1 ano, isso garantiria o pagamento de juros da dívida pública resultando na disponibilidade de recursos com gastos públicos e a elevação de RS32,00 no slário, o que certamente atingiria então, a casa dos brasileiros.
Resta ao governo escolher entre continuar mantendo sua política de capitais em favorecimento próprio, ocultando as mazelas políticas e tapando os ouvidos e os olhos dos brasileiros com taxações absurdos justificadas como mantedoras da paz econômica, ou reverter o quadro dando ampla expectativa de crescimento nos setores populares, começando com o aumento do salário mínimo.
Escrito por nandarc às 16h47
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